Categoria: Artigos
Data: 30/09/2026

“Ele muda os tempos e as estações; remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes.” (Daniel 2:21)


DEUS REINA SOBRE OS TRONOS DAS NAÇÕES



A Escritura ensina que Deus é soberano sobre as nações e os tronos dos homens. Em Isaías 45, o Senhor chama Ciro, rei da Pérsia, de seu “ungido”, embora ele não o conhecesse, e o utiliza para libertar Israel do exílio. Ciro possuía poder, mas não era soberano; era instrumento nas mãos de Deus. O Senhor afirma: “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45.5). Reis e governos surgem e desaparecem, mas nenhum deles está fora da providência daquele que governa a história.


Deus é o Criador e nós somos suas criaturas. Por isso, nenhum governante pode ocupar o lugar que pertence somente a Deus. Jesus declarou diante de Pilatos: “O meu reino não é deste mundo” ( Jo 18.36) e “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada” ( Jo 19.11). Paulo ensina que “não há autoridade que não proceda de Deus” (Rm 13.1). A Confissão de Fé de Westminster, capítulo XXIII, reconhece o governo civil como instituição de Deus para a ordem e o bem público, e João Calvino igualmente ensinou a legitimidade da autoridade civil. Portanto, o cristão deve respeitar as autoridades, orar por elas e cumprir seus deveres, sem transformar governos ou poderes temporais em objetos de fé.


Entretanto, existe um grave perigo espiritual e psicológico quando depositamos nossa segurança em homens, partidos ou governos. Mudanças políticas podem produzir medo, ansiedade, ira ou desespero quando nossa esperança está colocada no lugar errado. A Escritura adverte: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens” (Sl 146.3). Podemos participar responsavelmente da vida pública, votar, defender a verdade e buscar o bem comum, mas nossa confiança última pertence somente a Deus. Ciro estava nas mãos de Deus; Pilatos estava nas mãos de Deus; os reis estão nas mãos de Deus; e nós também estamos.


Governantes passam, governos mudam e sistemas políticos desaparecem, mas Deus permanece no trono. Portanto, não temamos como quem perdeu o controle da história. Participemos da sociedade com responsabilidade, mas descansemos na soberania de Deus. Nossa esperança não está nos homens, nos partidos ou nos governos, mas em Jesus Cristo, o Rei dos reis. Como declara o Senhor: “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45.5).



Rev. Rogério de Carvalho Lima


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