O cristão e a política na hora de votar
“Não há justo, nem um sequer... todos se extraviaram” (Romanos 3.10-12)
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jeremias 17.9)
A Bíblia nos ensina a começar nossa reflexão política não pela exaltação de homens, mas pela doutrina da pecaminosidade humana. Paulo afirma que não há justo sequer um, e Jeremias declara que o coração humano é enganoso. Portanto, o cristão não deve transformar candidato, partido ou ideologia em objeto de confiança absoluta. Jesus também não ensinou uma revolução política como caminho para estabelecer o Reino de Deus; diante de César, afirmou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Cristo reconheceu a existência da autoridade terrena, mas deixou claro que ela jamais ocupa o lugar que pertence a Deus. O poder político é limitado; o senhorio de Cristo é absoluto.
Pedro ensinou os cristãos a respeitarem as autoridades e a honrarem aqueles que exercem funções públicas (1ªPe 2.13–17). Paulo, igualmente, ensinou que as autoridades civis possuem uma responsabilidade diante de Deus: punir o mal, promover a ordem e proteger o bem (Rm 13.1–7). Isso significa que o cristão não deve confundir submissão às autoridades com aprovação de tudo o que elas fazem. A autoridade também está debaixo do juízo de Deus.
Por isso, diante de uma eleição, o cristão deve procurar exercer discernimento e responsabilidade, examinando não apenas discursos, slogans ou promessas de campanha, mas também o histórico público, a plataforma apresentada, as alianças, as decisões, os posicionamentos e a conduta conhecida do candidato. Questões como liberdade de expressão, proteção da vida, aborto, segurança pública, criminalidade, violência, roubos, furtos, tráfico de drogas e de outras mercadorias ilícitas, combate à corrupção, respeito às leis e responsabilidade no exercício do poder podem ser avaliadas à luz das Escrituras e da realidade concreta. A pergunta não precisa ser simplesmente: “Eu gosto desse candidato?”, mas: “O que ele efetivamente defende, o que já fez e como suas propostas e sua conduta se relacionam com princípios de justiça, verdade, responsabilidade e respeito ao próximo?”
Finalmente, o cristão deve ter cuidado com aqueles que utilizam a linguagem da fé apenas como instrumento de aproximação eleitoral. A profissão pública de fé, por si só, não substitui caráter, coerência e histórico. Jesus ensinou que a árvore é conhecida pelos seus frutos (Mt 7.16–20). Portanto, não cabe ao crente entregar sua consciência a uma personalidade política nem considerar alguém infalível por afirmar-se cristão. Examine-se a trajetória, compare-se o discurso com a prática e mantenha-se a consciência submetida à Palavra de Deus. A política pode ser exercida por homens e mulheres; a esperança da Igreja, porém, não está em partidos, governos ou candidatos, mas no Rei Jesus Cristo
Rev. Rogério de Carvalho Lima