Categoria: Artigos
Data: 09/08/2026

O DIA DO SENHOR: UMA BÊNÇÃO QUE NÃO DEVEMOS DESPREZAR




Jesus declarou: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Marcos 2:27–28). O princípio moral de um tempo separado para Deus permanece, e o domingo, primeiro dia da semana, tornouse o Dia do Senhor para a Igreja cristã, marcado pela ressurreição de Cristo e pela reunião dos santos. Guardar o Dia do Senhor é reconhecer que nosso tempo pertence ao Senhor, dedicando-nos especialmente ao culto público, à Palavra, à oração, à comunhão dos irmãos e ao descanso santo. Como ensinou João Calvino, o Dia do Senhor não deve ser visto como mero formalismo, mas como uma dádiva divina para que a Igreja se reúna e o povo de Deus se dedique à adoração.



O Dr. Martin Lloyd-Jones ressaltava a importância espiritual do domingo como um dia especialmente separado para a adoração e para o fortalecimento da alma na presença de Deus. R. C. Sproul, igualmente, enfatizou que o princípio do descanso santo expressa a autoridade de Deus sobre nossa vida e nosso tempo. Entretanto, precisamos considerar uma realidade que deveria envergonhar a nossa negligência: existem lugares no mundo em que cristãos enfrentam severas restrições para professar sua fé; em alguns contextos, reuniões cristãs podem ser proibidas ou submetidas ao controle estatal, e, em determinadas nações, até mesmo a reunião de crentes em casas pode trazer graves consequências. Enquanto alguns irmãos precisam reunir-se discretamente e arriscar sua liberdade para adorar a Cristo, muitos de nós, tendo liberdade para cultuar, tratamos o Dia do Senhor como um dia qualquer.



Por isso, a Palavra de Deus nos adverte: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6). Não sabemos por quanto tempo teremos liberdade para abrir nossas Bíblias, reunir nossas famílias, entrar em nossos templos e ouvir publicamente a pregação do Evangelho. A liberdade que hoje desfrutamos não deve produzir comodismo, mas gratidão e responsabilidade. Se nossos irmãos em lugares onde o Evangelho é perseguido desejam ardentemente reunir-se para adorar, quanto mais nós, que podemos fazê-lo livremente, devemos valorizar cada domingo e comparecer com alegria à casa do Senhor! Não desprezemos aquilo que outros desejariam possuir e não podem. Busquemos ao Senhor enquanto se pode achar; adoremos enquanto temos liberdade; ouçamos sua Palavra enquanto ela pode ser proclamada livremente.



Portanto, irmãos, não guardar o Dia do Senhor é pecado, pois constitui desprezo à ordem de Deus e revela, muitas vezes, que os interesses deste mundo ocupam o lugar que pertence ao Senhor. As consequências espirituais são graves e já podem ser percebidas em nossos dias: enfraquecimento da vida devocional, negligência do culto público, desprezo pela Igreja, esfriamento da fé e perda do senso da santidade de Deus. Que o Senhor nos conceda arrependimento e nos faça redescobrir a alegria de consagrar-lhe o Dia do Senhor. Que não sejamos encontrados valorizando mais o lazer do que a adoração, mais os compromissos pessoais do que a comunhão dos santos, mais as coisas deste mundo do que a presença de Deus. “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Salmo 118:24). Enquanto temos liberdade, guardemos o Dia do Senhor; enquanto podemos cultuar, cultuemos; enquanto podemos ouvir, ouçamos; enquanto podemos buscar, busquemos ao Senhor!



Rev. Rogério de Carvalho Lima



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